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Entre o que acontece e o que fica

Foto do escritor: Aline Mendes
Aline Mendes
13 de jul.
2 min de leitura

Atualizado: 16 de set.

"Onde eu escolho colocar a minha atenção?"


Cão dorme ao lado de caderno e caneca com café, ao pôr do sol; livros, planta e frase: Onde você escolhe repousar o olhar?

Não é sobre ter uma vida perfeita.

É sobre no início do dia agradecer por ter acordado.

No final do dia agradecer, não porque o dia foi tranquilo (afinal, quase nunca é).

Cada dia traz sua própria batalha.

E não existe batalha grande ou pequena. Existe a minha. Existe a sua.

Nem sempre as coisas acontecem como planejado.

Tem dias em que acordo convencida de que vou produzir muito.

Então surge uma reunião fora de escopo.

Uma demanda inesperada.

Uma conversa que se estende além do previsto.

Quando percebo, o dia acabou.

A lista de tarefas continua ali.

E a sensação de improdutividade também.

É justamente nesses dias que existe uma escolha.

Reclamar.

Entristecer.

Ou respirar antes de decidir como olhar para tudo aquilo.

Há algum tempo ouvi uma história contada por Mario Sergio Cortella que nunca mais saiu da minha cabeça.

“Olha como eu sou abençoado: hoje o jipe quebrou na estrada e não estava chovendo. Olha como Deus gosta de mim: hoje acabou a gasolina do jipe e faltavam só dois quilômetros para o posto.”

O que me marcou não foi a tentativa de fingir que estava tudo bem. (nem é esse o contexto da citação)

Foi outra coisa.

A pergunta ao final era: onde você escolhe repousar o olhar?

No problema?

Ou no que, apesar dele, ainda continua de pé?

Não é um convite ao conformismo.

Nem uma defesa de um otimismo ingênuo.

É apenas o reconhecimento de que reclamar raramente muda a realidade.

Na minha experiência, pelo menos, nunca mudou.

Ao longo dos anos, aprendi apenas a respirar um pouco antes de reagir.

Os dias bons passam.

Os dias ruins também.

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